quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

3 acessos de loucura

1

Moinho de vento, sorriso
de palhaço, preciso
o dente arrancado do siso.
Morreu...

Antónimos errantes,
Antónios de turbantes,
Hiperónimos sussurrantes,
Sinónimos sem jantes.
Cantando o bardo,
Preto qual pardo,
A lira e a rabeca,
o profeta da cueca.
Grita jasmim,
Enfim excita,
Urso pardo e chita,
Leopardo, invicta,
Helena, gloriosa,
Fim da glosa.
Tocata, enchente,
cascata, nascente,
Fragata, crescente,
Beata ciente.
Monja, TU!

2

Creio num só Deus,
Pai poderoso,
Que deu vaidoso,
a Eva ao Adão,
A serpente e o chão,
A maçã trincada,
O pecado do nada,
Surgiu da serpente,
Que tornou doente
A Eva do Adão.
Depois deram a mão,
fornicaram então
o mundo no chão.
Arrota o destino,
escarrra o divino,
Cospe o Chino,
imigrante ilegal,
Que come Portugal
Com cuecas Channel.
Balão de papel,
Aspirador limpópó.
O Chino morre só.

3

Ananás brinquedo,
palhaço no medo,
abacaxi original,
viva o carnaval.
Samba e Bossa Nova,
A mãe dá-me uma sova,
merengue, ananás,
caiu para trás.
Iogurte danoninho,
camisola de linho,
Maga e farta,
Ponce Dentinho.
Ave de rapina,
Perú que urina,
Morcego de esquina.
Voou.
E... Come ananás,
Não caias para trás.
Mata o perú
antes que fique cru.
Salta cangurú.

TU ÉS PARVO!

Ll

Lento e lânguido pelo lago,
Iluminado como linóleo de limão
Ao luar
Flameja o linguado vago,
Qual Orlando Furioso e moribundo.
Eh lá!
Olé Elvas, Elvas Olé.
Leite, leitinho, leito
leitão, leitãozinho, lili.
Meu lóló, lólózinho, lulu,
Luluzinha, bolinha, balofo,
mantinha de mofo, leitoso,
cremoso, jeitoso...
Llllllllllllllllllllllouco!

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Divino Pecado

Poetas da escuridão, artistas de taberna.
O bordel está disposto pela sala.
Uma viola é afinada, cantada,
Ritmada, mimada.

E as cordas soam.
Os trovadores tangedores
Tangem e trovam
Com trilos e tremolos,
Trazendo a triste tara tinida,
Em travestidos tratos tonais,
Aos trépidos trabalhadores
Que terminaram a tão árdua tarefa
De trilhar enquanto tremem de frio.

E a orgia começa.
O sémen sincopado
Sai do seu sítio
E segrega-se no santuário.
Os sinos soam no cimo do cenáculo.
“Sim, sim!” sentenciam os senhores.
Sábios e maculados santos
Sentem-se soberbos
Com tal sapiência centenária
Que somente agora sabem.
Esporraram-se de vez.
Ssssssssss…

Mãe, mãezinha, mãmãzinha, maminha.
Mamã, miminha, mimizinha, mãe minha.
Emascula-me e mutila-me
Para eu não me ejacular.
Não quero ser másculo magoado,
Viril atormentado,
Nem filho esporrado.
Faz-me teu filho querido,
Sem falo, travestido.
Para que eu possa falar
A língua secular
Dos anjos sopranistas
Castrados, puristas.

Perdoa-me papá
Por perder a pilinha,
Pois perco-me por porcos,
Por putas e por pénis
Se não me privo do pene.
Para ficar plácido
Preciso de privar o prazer
Proporcional e natural
Que o Pai permitiu
Aos seus pequenos pecadores.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quatro Cantos de Natal

Já que a época se aproxima, aqui vão quatro poemas feitos em meia hora...

Canto I – O Paradoxo da Ironia

Jesus foi filho de um carpinteiro
E de uma doméstica, impoluta
Diz a Bíblia tingida pelo tinteiro.

Ele nasceu pobre e ao mudo
Doou a palavra benfazeja,
Porventura tumular,
Com o poder de calar
Os doutores da Sua Igreja.

Depois, morreu na cruz do absurdo
Devido ao homem surdo
Que não ouviu a história por inteiro.

Eis os factos a encimar,
Os horrores da humanidade,
Desta Besta que nos resta ocultar.
Nas mentes, a maleita da eternidade,
Tão baça e diminuída desta má feita.
Pequena como a formiga em si resumida
Ao carreiro e à colheita.

Canto II – A Vontade da Ilusão Monetária

Nicolau foi um anafado, outrora, parecia uma bola,
Agora é anoréctico, mete os dedos à garganta
Sempre que vê a sua cara junto a uma Coca-Cola.

Mais alegre não deve estar o coqueluche,
Imagine-se, o menino Jesus de cabelo aos caracóis!
Ainda andava ele de cordão no umbigo
E os cabelos ainda não tinham crescido
Quando a vaca e o jumento se tornaram heróis.

O Natal cria a ilusão da necessidade,
A proposta ao consumismo desde a mocidade,
E os nossos bolsos acabam lisos como a tábua de John Locke.

Canto III – A Hipocrisia do Ateu

O galo nunca cantou, é certo,
Mas a tradição manteve-se, como a falsidade,
Que anda rua acima com a aparência por perto.

E eis que cantam os sinos porque o galo está afónico,
Os brejeiros mundanos afluem massa,
Na missa encharcados de Channel nº 5
Com o melhor fato, sem dobra nem vinco.
Irónico, deveria ser tempo de modéstia. Que nojo, a nossa raça.

Canto IV – Epílogo


As Parcas tecem o destino num fio,
E parece que o Nicolau mantém-se anoréctico.
Entretanto, o perú já está frio.
(Não consigo ser mais sintético.)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Discurso sobre a igualdade do Ser Humano na Sociedade

“De todas as formas imperfeitas de governo, a mais perfeita é a democracia” – já dizia Churchill.
Será? Será a democracia a forma mais perfeita até agora descoberta de governo? Não creio. Concordaria até certo ponto se nos referíssemos à democracia clássica, à democracia da Grécia Antiga. Mas no que toca à actualidade, a democracia apresenta várias falhas. E quais são? - perguntar-me-ão. Bem, a falha mais importante compreende exactamente a diferença entre a democracia antiga e a nova. A falha reside no facto de todos, incluindo o povo, poderem governar, ou seja, de todos terem supremacia sobre os seus líderes.
Isto origina a ideia que todos, tanto governadores como governados, são iguais em direitos, possibilidades e acessos. Bem sei que esta ideia pode chocar a maioria, mas, para a fundamentar, tomemos como exemplo as teorias comunistas de Karl Marx e as suas aplicações nos governos que o desejaram.
A teoria comunista afirma que o poder deve ser instaurado por actos revolucionários. Após essa revolução, o secretário-geral do partido assume o poder por algum tempo e quando tudo estiver estabilizado, sairá do poder regressando às condições homogéneas de toda a população. Pois agora pergunto-vos, acreditais que o dito secretário-geral irá de livre vontade juntar-se à plebe? Não, e sabeis porquê? Porque ele é um ser humano, e o ser humano tem necessidade de ter sempre mais, de ser ganancioso, de superar o próximo, de ser o melhor. Portanto é impossível, ou muito pouco provável, que alguém deseje voltar a ser o que era antes de ter ascendido a um nível melhor.
Assim, o comunismo levado à letra seria uma forma de governo genial se não fosse aplicado no ser humano nem noutros seres vivos que vivessem em sociedade, e sim em seres que não vivessem de forma hierarquizada.
Agora centremo-nos em todos os países que optaram o comunismo como forma de governo. Todos os líderes, Lenine, Fidel Castro, Hugo Chávez, Mao Tsé-Tung, subiram ao poder e nunca mais desceram, exceptuando óbito ou maleitas de outra espécie.
Claro que os líderes comunistas foram e são criticados pelas suas acções quase ditatoriais, mas não faríamos nós o mesmo se estivéssemos no poder? Quanto mais se afastam os ideais políticos, mais se aproximam. É fácil cair numa ditadura fascista começando no comunismo. Por isso não digo que uma ou outra estão certas ou erradas; são sim, infelizmente, as formas mais simples, pragmáticas e eficazes que a Humanidade encontrou para governar.
Então, apesar de o comunismo não ser uma democracia exacta, se bem que “supostamente” a soberania resida na nação, este exemplo ilustra-nos que, por mais que queiramos, o ser humano não está preparado, nem nunca esteve ou estará, para viver em igualdade e comunhão. Todas as sociedades na natureza, desde as formigas às abelhas, passando pelos lobos, vivem de forma hierarquizada, estando sempre na chefia o mais forte, ou o mais apto e habilidoso, e os mais fracos constituindo a população, dividindo-se esta em soldados, colectores e por aí fora….
Portanto, se a natureza, que sempre foi perfeita e nunca cometeu erros, criou sociedades hierarquizadas, para quê tentar contrariá-la quando esse propósito nunca vai dar resultado?
Note-se também que o ser humano tem necessidade de viver numa liberdade condicionada, onde uma entidade superior o governe. Senão seria a anarquia, o caos, a libertinagem e a perda do respeito, do pudor, da vergonha e das normas da vida em sociedade. Já tivemos um exemplo concreto aquando o 25 de Abril, que criou um Portugal sem rumo, em decadência, em estagnação e em atraso.
Também, acerca da igualdade de direitos e oportunidades, é necessário discutir aquele disparate de querer transformar o país num território de licenciados, onde todos são doutores, engenheiros e médicos.
Querer estender a escolaridade obrigatória até ao 12º ano vai implicar que todas as pobres criaturas que vagueiam nas ruas, que se drogam ou que se prostituem, sejam obrigadas a frequentar a escola. E qual será o resultado? É termos um vadio com canudo em cada esquina? Não, não é. É sim termos alunos a vadiarem na escola, a prostituírem-se nas casas de banho, a drogarem-se nos intervalos, a passarem de ano por favor, a condicionarem a aprendizagem de quem está na escola por vontade própria e a arrastar esses mesmos para a sua má vida.
As pessoas - ou melhor - o governo, tem que entender que por muito idílico que seja termos uma população muito instruída, o que nunca acontecerá, é necessário que também existam outros empregos secundários, mas não menos importantes, como os varredores de rua, os canalizadores ou os homens do lixo.
Até ao século XIX, a sociedade assentava em várias ordens hierarquizadas. E nunca teve grandes problemas. Mas ao introduzirem a ideia de igualdade, as ordens mais baixas desejam ascender a posições mais meritórias. E quem vai, assim, varrer as ruas? Serão os futuros letrados? Não, será ninguém. E assim caminhamos lentamente para a degradação da sociedade, pois todos querem ser alguém e nenhum quer ser ninguém.
No tempo do senhor Adolf, a Alemanha funcionava, e porquê? Porque era governada por um só partido que geria toda a população. E toda a população, exceptuando os que eram queimados – e foi esse o grande erro dele, caso contrário teria sido um grande estadista – estava satisfeita, porque o partido nacionalista acreditava na potência do seu país.
Hoje em dia vemos tudo importado do estrangeiro e tudo o que cá se faz de melhor não encontra meios para se revelar, portanto é obrigado a ir para fora, onde não há preconceitos com a inovação, há mentes suficientemente abertas para receberem novidades e onde o governo investe consideravelmente mais nas actividades de ordem superior (cultura, ciência, tecnologia).
Agora, se fôssemos todos iguais, não poderíamos receber os benefícios destas actividades, pois ou não havia dinheiro paras as financiar, ou não havia alguém capaz de as realizar.
Passemos a um exemplo concreto. Richard Wagner, quando criou as suas óperas, não as idealizou para o povo, para um público leigo e sem preparação. Idealizou-as sim para uma elite intelectualmente superior que pudesse compreender em pleno o significado dessas espantosas obras. Este é um óptimo exemplo de que ao tentar tornar acessível ao vulgo e banal cidadão actividades de cariz mental superiores, com o propósito de não discriminar ninguém – ideia de “cultura para todos”, não só vai contra os princípios do criador, como também não se consegue o resultado pretendido, pois o típico burguês médio português assistirá à Valquíria e a meio do primeiro acto pensará que o que lhe apetecia mesmo era uma mini e uns tremoços no snack-bar “Dinis”, em vez de estar a aturar três horas de berros e uivos, sem perceber patavina do que se está a passar.
Concluindo assim, terá que haver sempre um fosse entre classes. Cabe-nos sim diminuí-lo ou acentuá-lo. Agora, é impossível robotizar toda a gente e esperar que todos façam o mesmo, pois nós somos humanos e não partilhamos todos as mesmas experiências de vida, de meio e de contactos, por isso não se pode esperar que todos tenham os mesmos direitos, deveres, ideologias e gostos. Somos seres humanos e basta!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Reflexões sobre uma dimensão conclusiva

A nossa concepção do universo é formada pela capacidade cognitiva de dimensão a que somos deparados no quotidiano. Nada pode ser igualmente infinito ou igualmente restrito, pois varia de ser para ser a concepção de princípio, fim ou conteúdo. Essas variações derivam do crescimento do ser, do seu meio e da sua educação. Claro que uma pessoa que nunca tenha tido contacto com outro universo sem ser o seu, terá uma ideia de medidas e durações completamente diferente de um cosmopolita que tenha contactos constantes com novas dimensões. Os universos não são portanto de dimensões finitas ou infinitas. São sim um fruto do nosso complexo dimencional e uma variação indefinida de tamanho, consoante o ser.
(Deambulantes desvaneios da alma...)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Humildade

A maior das façanhas é aquela que não se consegue notar.

O maior dos reis é aquele cuja coroa não se vê.

Na ribalta da vida os maiores mostradores, na penumbra os mais humildes. Mas quando mudamos de teatro, vêm para o palco os retraídos e na sombra quedam os vaidosos.
Uns fumam ópio, outros barbas de milho. O que nem sempre é bom, pois quando o gosto mundano é refinado, o celeste torna-se bárbaro.

Divina providência! Leva-nos os cachimbos e deixa-nos cá a nós!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cisne Negro

Cisne negro,
Plumagem escura,
Bico branco, muito branco.
E que porte, que superioridade.
Parece ter sido moldado por um oleiro.
Oh cruel barro!
Por que não te tornas cisne?
Preto com o bico branco.
É mais fácil amar o diferente bizarro,
Que o diferente igual a nós.
Tão difícil seria para um cisne branco,
Amar outro de natureza oposta!
Se ele amasse o barro, diriam:
Pobre cisne branco, eloqueceu.
Se ele amasse o cisne preto, diriam:
Pobre cisne branco, envergonhou-nos.
Mas por muito que quisesse,
O barro não padece de uma condição:
Não canta!
Não canta, como o cisne preto o faz.
Não chama pelas lágrimas do cisne branco.
Não fica mais bonito quando entoa.
Era impossível amar o barro
E não amar o cisne preto preto.
Mas o que põe o cisne branco azul,
São os olhos.
Os olhos tão negros, como preta a plumagem,
Que ao cisne desejado pertence.

O cisne preto canta,
O cisne branco chora,
O cisne preto chora,
O cisne branco canta,
O cisne preto canta,
O cisne branco chora,
O cisne preto chora,
O cisne branco morre.

terça-feira, 2 de junho de 2009

(procriação e homofobia)

Risquemos então um fósforo
para se rever na História
homos e procriação:
Goebbels fez seis filhos
num buraco soterrado
com veneno os amou;
Michelangelo nem um só,
nem um doou à multidão.
Goebbels pariu Auschwitz
pela Besta fecundado;
Michelangelo a Sistina
David e a Pietà
em auto-superação.

Decididamente, sou
a favor da castração
do ego desabrido
que se multiplica malsão
e contra o casamento
do nazi danado
com um mestre da Criação.

terça-feira, 14 de abril de 2009

tristan e o inicio de uma nova era

So com o Tristao de Wagner e que o tonalismo realmente se desfez e a musica tomou outras direcçoes.
Mas porque brincar com os pedaços de uma tonalidade gasta, fragmentada e ja esteril quando podemos deleitar-nos com um sistema atonal vanguardista e pouco usado?
Tristao e Isolda abre-nos as portas para um mundo novo, onde o Preludio começa em la e o Epilogo acaba em si(lencio).

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Caridade

«Se amas dá até doer»

Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Romance entre o homem do lixo a empregada do snack-bar "Faria"

Ding, dong, ding, dong, ding, dong,
Ding, dong, ding, dong, ding, dong.

As doze badaladas da meia-noite
Anunciam o homem do lixo.

De colete florescente e luvas calçadas,
De galochas de borracha e calças remendadas,
O corajoso trabalhador inicia
A sua tarefa diária.
Embora considerada por muitos
como porca e nojenta,
Esta é bem necessária.

E enquanto ele se apresenta,
Do outro lado da rua
Onde estão os contentores,
Fecha o café, Maria,
A empregada de balcão,
Que depois varre o chão
Da entrada da casa “Faria”.

Ela chama-o com o dedo
E ele avança sem medo,
Pois já está habituado
A estes encontros de pecado.
E é aí então no breu
Que se dão início os amores,
Entre a Julieta Maria e o Tomás Romeu.

No beco escuro do bairro pacato,
Julieta despe devagar o fato,
Ao seu Romeu “afortunato”. (como dizem os italianos)

Os dejectos do esgoto transformam-se em Channel nº 5,
As baratas do estrume transformam-se em cupidos do amor,
As esfregonas e vassouras transformam-se em tochas havaianas,
O contentor transforma-se em cama de dossel
Os sacos pretos do lixo transformam-se em almofadas de seda italiana,
As codeas de pizza que o gato selvagem come transformam-se em caviar,
A urina do cão transforma-se em vinho de bordéus,

E naquele ninho de amor,
Eles gemem em prazer
Até ao amanhecer,
Porque quando este chega,
Maria vai ver da sua filha,
E Tomás aperta a braguilha
E regressa ao trabalho,
Sempre na esperança
Que o próximo rebento de Maria
Tenha sido fruto do romance dos dois
E não filho do Manel da pizzeria.
Mas isso é um assunto que não é desta história
E que fica para depois.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Poema Boémio

Bebe vinho, come pão,
Vai à taberna, nunca digas não
Ao chouriço, mesmo que ele esteja no chão,
Ao pé do cão mestiço ou pendurado no varão.

Vai à puta, aproveita o quanto quiseres
Enquanto podes e tens,
Porque quando não tiveres dois vinténs
Para comer com decência e talheres,
Nem tiveres paciência para colher malmequeres
Para dar ao teu pai acamado,
É que verás que a vida é um triste fado,
Sem surpresas nem sinas
Onde já não vais às meninas
E és um desgraçado.

Não sejas mal agradecido,
Não tens culpa de ser mal nascido,
Pois teu pai deixou tantos bastardos
Como tu filhos pardos
Das pretas e brasileiras
Que fornicaste sem maneiras.

Não peças piedade
À mãe que, de boa vontade,
Te criou e educou,
E que tiraste da sala de estar
E despejaste no lar
Mais imundo da cidade.

E quando estiveres na rua deitado,
Moribundo e mijado,
Sem te conseguires levantar,
De estares tão cansado
Desta vida mundana,
Pecadora e profana,
É que te vais lembrar do conselho que te dei:
Come o chouriço e não te armes em rei,
Procura um emprego decente
E ganha para a sopa quente,
Casa com uma mulher de bom porte
E tenta aí a tua sorte.

E conta esta moral ao teu filho,
Antes de lhe encheres o papo de milho,
E assim ele saberá o que custa viver
E que tudo tem uma razão de ser.

Lembra-te disto meu nabo:
As coisas não chegam de mão beijada,
Pois quem limpa o rabo,
Fica sempre com a mão cagada.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O sorriso que é teu

Lá Si m Dó# m Si m
Tenho o meu coração atado a ti,
Lá Si m Dó# m Si m
Ó não foste tu que o deste,
Lá Si m Dó# m Si m
E a minha alma,
Lá Si m Dó# m Si m
Mais forte fizes-te.

Ré Mi Lá Dó# m Fá# m
Tocas-te o meu rosto com as tuas mãos de luz,
Mi
E desenhas-te este sorriso,
Ré Mi
O que mostro não sou eu,
Lá Dó# m Fá# m
Este sorriso é teu.
Ré Mi
Ata-o ao teu coração,
Ré Mi Lá Dó# m Fá# m
Fá-lo crescer e deixa-o viver.
Ré Mi Lá Si m Do# m Si m
Sempre que te segrede a minha oração.

Lá Si m Do# m Si m
É a ti que eu quero seguir,
Lá Si m Do# m Si m
A teu lado caminhar.
Lá Si m Do# m Si m
Meu coração só deseja que vejam nele,
Lá Si m Do# m Si m
O sorriso com que abraças meu olhar.

(Refrão)