1
Moinho de vento, sorriso
de palhaço, preciso
o dente arrancado do siso.
Morreu...
Antónimos errantes,
Antónios de turbantes,
Hiperónimos sussurrantes,
Sinónimos sem jantes.
Cantando o bardo,
Preto qual pardo,
A lira e a rabeca,
o profeta da cueca.
Grita jasmim,
Enfim excita,
Urso pardo e chita,
Leopardo, invicta,
Helena, gloriosa,
Fim da glosa.
Tocata, enchente,
cascata, nascente,
Fragata, crescente,
Beata ciente.
Monja, TU!
2
Creio num só Deus,
Pai poderoso,
Que deu vaidoso,
a Eva ao Adão,
A serpente e o chão,
A maçã trincada,
O pecado do nada,
Surgiu da serpente,
Que tornou doente
A Eva do Adão.
Depois deram a mão,
fornicaram então
o mundo no chão.
Arrota o destino,
escarrra o divino,
Cospe o Chino,
imigrante ilegal,
Que come Portugal
Com cuecas Channel.
Balão de papel,
Aspirador limpópó.
O Chino morre só.
3
Ananás brinquedo,
palhaço no medo,
abacaxi original,
viva o carnaval.
Samba e Bossa Nova,
A mãe dá-me uma sova,
merengue, ananás,
caiu para trás.
Iogurte danoninho,
camisola de linho,
Maga e farta,
Ponce Dentinho.
Ave de rapina,
Perú que urina,
Morcego de esquina.
Voou.
E... Come ananás,
Não caias para trás.
Mata o perú
antes que fique cru.
Salta cangurú.
TU ÉS PARVO!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Ll
Lento e lânguido pelo lago,
Iluminado como linóleo de limão
Ao luar
Flameja o linguado vago,
Qual Orlando Furioso e moribundo.
Eh lá!
Olé Elvas, Elvas Olé.
Leite, leitinho, leito
leitão, leitãozinho, lili.
Meu lóló, lólózinho, lulu,
Luluzinha, bolinha, balofo,
mantinha de mofo, leitoso,
cremoso, jeitoso...
Llllllllllllllllllllllouco!
Iluminado como linóleo de limão
Ao luar
Flameja o linguado vago,
Qual Orlando Furioso e moribundo.
Eh lá!
Olé Elvas, Elvas Olé.
Leite, leitinho, leito
leitão, leitãozinho, lili.
Meu lóló, lólózinho, lulu,
Luluzinha, bolinha, balofo,
mantinha de mofo, leitoso,
cremoso, jeitoso...
Llllllllllllllllllllllouco!
domingo, 6 de dezembro de 2009
O Divino Pecado
Poetas da escuridão, artistas de taberna.
O bordel está disposto pela sala.
Uma viola é afinada, cantada,
Ritmada, mimada.
E as cordas soam.
Os trovadores tangedores
Tangem e trovam
Com trilos e tremolos,
Trazendo a triste tara tinida,
Em travestidos tratos tonais,
Aos trépidos trabalhadores
Que terminaram a tão árdua tarefa
De trilhar enquanto tremem de frio.
E a orgia começa.
O sémen sincopado
Sai do seu sítio
E segrega-se no santuário.
Os sinos soam no cimo do cenáculo.
“Sim, sim!” sentenciam os senhores.
Sábios e maculados santos
Sentem-se soberbos
Com tal sapiência centenária
Que somente agora sabem.
Esporraram-se de vez.
Ssssssssss…
Mãe, mãezinha, mãmãzinha, maminha.
Mamã, miminha, mimizinha, mãe minha.
Emascula-me e mutila-me
Para eu não me ejacular.
Não quero ser másculo magoado,
Viril atormentado,
Nem filho esporrado.
Faz-me teu filho querido,
Sem falo, travestido.
Para que eu possa falar
A língua secular
Dos anjos sopranistas
Castrados, puristas.
Perdoa-me papá
Por perder a pilinha,
Pois perco-me por porcos,
Por putas e por pénis
Se não me privo do pene.
Para ficar plácido
Preciso de privar o prazer
Proporcional e natural
Que o Pai permitiu
Aos seus pequenos pecadores.
O bordel está disposto pela sala.
Uma viola é afinada, cantada,
Ritmada, mimada.
E as cordas soam.
Os trovadores tangedores
Tangem e trovam
Com trilos e tremolos,
Trazendo a triste tara tinida,
Em travestidos tratos tonais,
Aos trépidos trabalhadores
Que terminaram a tão árdua tarefa
De trilhar enquanto tremem de frio.
E a orgia começa.
O sémen sincopado
Sai do seu sítio
E segrega-se no santuário.
Os sinos soam no cimo do cenáculo.
“Sim, sim!” sentenciam os senhores.
Sábios e maculados santos
Sentem-se soberbos
Com tal sapiência centenária
Que somente agora sabem.
Esporraram-se de vez.
Ssssssssss…
Mãe, mãezinha, mãmãzinha, maminha.
Mamã, miminha, mimizinha, mãe minha.
Emascula-me e mutila-me
Para eu não me ejacular.
Não quero ser másculo magoado,
Viril atormentado,
Nem filho esporrado.
Faz-me teu filho querido,
Sem falo, travestido.
Para que eu possa falar
A língua secular
Dos anjos sopranistas
Castrados, puristas.
Perdoa-me papá
Por perder a pilinha,
Pois perco-me por porcos,
Por putas e por pénis
Se não me privo do pene.
Para ficar plácido
Preciso de privar o prazer
Proporcional e natural
Que o Pai permitiu
Aos seus pequenos pecadores.
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