quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cisne Negro

Cisne negro,
Plumagem escura,
Bico branco, muito branco.
E que porte, que superioridade.
Parece ter sido moldado por um oleiro.
Oh cruel barro!
Por que não te tornas cisne?
Preto com o bico branco.
É mais fácil amar o diferente bizarro,
Que o diferente igual a nós.
Tão difícil seria para um cisne branco,
Amar outro de natureza oposta!
Se ele amasse o barro, diriam:
Pobre cisne branco, eloqueceu.
Se ele amasse o cisne preto, diriam:
Pobre cisne branco, envergonhou-nos.
Mas por muito que quisesse,
O barro não padece de uma condição:
Não canta!
Não canta, como o cisne preto o faz.
Não chama pelas lágrimas do cisne branco.
Não fica mais bonito quando entoa.
Era impossível amar o barro
E não amar o cisne preto preto.
Mas o que põe o cisne branco azul,
São os olhos.
Os olhos tão negros, como preta a plumagem,
Que ao cisne desejado pertence.

O cisne preto canta,
O cisne branco chora,
O cisne preto chora,
O cisne branco canta,
O cisne preto canta,
O cisne branco chora,
O cisne preto chora,
O cisne branco morre.

terça-feira, 2 de junho de 2009

(procriação e homofobia)

Risquemos então um fósforo
para se rever na História
homos e procriação:
Goebbels fez seis filhos
num buraco soterrado
com veneno os amou;
Michelangelo nem um só,
nem um doou à multidão.
Goebbels pariu Auschwitz
pela Besta fecundado;
Michelangelo a Sistina
David e a Pietà
em auto-superação.

Decididamente, sou
a favor da castração
do ego desabrido
que se multiplica malsão
e contra o casamento
do nazi danado
com um mestre da Criação.