Vamos ver se conseguimos fazer uma história ridícula em seis minutos.
Sala de concertos. Recital de quarteto de cordas. Hoje há Mozart e Schubert. O quarteto entra em palco. Violino à esquerda (ou à direita, consoante o ponto de vista), outro violino a seguir, viola e a fechar o violoncelo. Os músicos sentam-se após um curto aplauso da platéia. O primeiro violino olha para os outros como um general para o seu exército. A postos... E quando se preparam para começar a tocar, qual poderá ser a coisa mais bizarra a acontecer? Podia passar uma manada de zebras pelo palco, mas isso é muito previsível. Ou então... Ou então pode entrar em palco um homem com uma tuba. O homem, gordo, entra perante uma platéia estupefacta e um quarteto divido entre o espanto e o embaraço. Silencio gélido. Até que o primeiro violino pergunta: "Deseja alguma coisa?"
E o homem responde: "Eu gostaria de tocar convosco."
(riso geral da platéia)
"Mas, mas... Eu conheço-o sequer?"
"Penso que não, não nos conhecemos..."
"Então o que pensa que faz aqui? Nós estamos prestes a iniciar o recital. Um recital de QUARTETO DE CORDAS!"
"Não faz mal. Comecem a tocar que eu acompanho."
"Mas, mas, mas... Mas Mozart não escreveu nada para tuba!"
"Não se preocupem. Eu faço POM POM POM enquanto vocês tocam o que está escrito... Marco o compasso, percebem?"
"Mas o senhor está doido!"
"Mau... Não me comece a insultar... Eu até agora tenho sido bastante cordial consigo..."
"Cordial!? Então Vossa Excelência lembrou-se de vir para aqui, sem mais nem menos, porque lhe apetecia tocar, e nem pensou que o público que hoje está aqui presente pagou bilhete para ouvir música de câmara e que nós estamos a trabalhar!"
"Pois, isso não sei... O que eu desejo é apenas tocar um pouco... Por isso, se não se importam vou começar."
(A platéia divertida e admirada assiste àquele espectáculo incrível enquanto o homem gordo mete a boca na tuba e de lá retira uma série de POM POM POM...)
O primeiro violino aí perde as estribeiras e atira-se ao gordo descarado enquanto este continua com POM POM POM.
Aproveitando a escaramuça, o violoncelo, que já tinha assuntos pendentes com o viola por causa de uma flautista, começa a morder-lhe a perna esquerda, enquanto que este defende-se dando com o arco do instrumento na cabeça do atacante.
O segundo violino, que toda a vida tinha tocado à sombra ou a terceiras a baixo do primeiro violino, vê aqui a sua oportunidade e começa o solo da "Méditation" de Massenet.
Os espectadores entusiasmam-se e começam a gritar e a apostar em quem sairá vitorioso.
No meio da confusão passa uma manada de zebras pelo palco.