sábado, 26 de março de 2011

A Casa do Mariconço

É numa rua bizarra
A casa do Mariconço
Tem na sala um gato persa
Que se chama Zeca Afonso.

Vive com muitos amigos
Aquele de quem vos falo
Gosta de brincar a cavalo
E aos putos chama-lhes figos.
É doido por um rapazola,
Como um castiço pelo fado,
Se vê na rua o musculado
De comovido até exclama:
“Venha comigo para cama,
Seu bonitolas safado”.

Para se tornar notado
Usa coisas esquisitas,
Muitas rendas, muitas fitas
E um lenço ao pescoço encarnado.
Pretendido e desejado
Anda sempre com ar sonso
E atrás dele o Zeca Afonso
Como um escudeiro-mór
Se há festa correm o estore
Na casa do Mariconço.

É da aparência vistosa
E muito bem mobilada
Se há uns que dizem, não gosta nada,
Que a casa parece pirosa.
Há cortinados cor-de-rosa
E em casa há um moço
Que ao passar na porta eu oiço
Cantando o Mamma Mia
No sofá dorme todo o dia
O gato persa Zeca Afonso.

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